Casa Bloco

Local: BAIRRO SERRARIA, Porto Alegre, RS / BR
Área: 170m²
Ano do Projeto: 2013 - Status: concluído
Projeto: arq. Bruno Bered | arq. Lucas Loff Ferreira | arq. Marcus Fin
Projetos Complementares: eng. Flavio Lacerda

No pequeno lote de 200m² e formato retangular, situado numa  esquina de um loteamento calmo da capital Gaúcha, o desafio seria construir uma residência simples, que levasse em conta alguns aspectos relacionados a sustentabilidade, e estivesse dentro das possibilidades  orçamentarias reduzidas de um jovem casal.

Por uma decisão executiva da empresa loteadora, frente à morfologia original do sitio, os lotes individuais na sua maioria foram mantidos em cotas superiores em relação as vias. Como artificio de enfrentamento, e buscando apropriar-se da melhor forma possível de tal característica do terreno, a estratégia foi escavar o miolo deste, gerando assim o nível térreo da casa, onde são abrigadas as garagens, o acesso principal, a lavanderia e um banheiro. Logo a cima deste, com área exatamente igual, estabeleceu-se o 2º pavimento, com programa residencial básico, e dois pátios.

O bloco de concreto foi eleito como sistema estrutural, tanto para contenção do solo nas empenas geradas pela escavação do térreo, como para estrutura de sustentação da laje de cobertura do 2º pavimento e alvenarias externas. Tal artifício é capaz de gerar economia executiva, e possibilitar uma situação de planta livre, através da ausência de elementos estruturais no interior da casa. O aspecto visual natural do bloco de concreto foi adotado como medida econômica e estética para o acabamento exterior do edifício.

A luz natural é generosamente recebida na área interna do pavimento principal através dos grandes vazios gerados a partir do vão livre de 7,6m nas faces opostas às duas empenas estruturais laterais. O fechamento desses vazios é feito pelo envidraçamento dessas superfícies , o qual encontrasse recuado 1,10m da extremidade do volume, a fim de gerar beirais e varandas em todas as áreas da casa. Como artifício de segurança foram pensados grandes painéis de grades metálicas em forma de brises, móveis, que abrangem a plenitude das superfícies envidraçadas.

Argumentos projetuais como: escolha por um sistema estrutural racional e eficiente, ventilação cruzada em todas as áreas e uma planta livre proporcionadas pela adoção de tal sistema estrutural, recuo das fachadas envidraçadas gerando eficientes zonas de transição entre áreas externas e internas, laje de cobertura em sistema pré-moldado com tavelas de EPS (isopor com h=30cm), utilização de grama como proteção desta laje, recolhimento das águas pluviais provenientes da cobertura para reutilização nos jardins, setorização hidráulica no pavimento principal gerando economia executiva e eficiência funcional; conferem um caráter “sustentável” ao edifício.

A casa relacionasse de forma franca e controlada com a cidade, através dos pátios e da vegetação projetada. A laje de cobertura pode ser acessada pelo exterior da residência, através de uma escada, trazendo a possibilidade de expansão do pátio para este local de cota superior, onde são proporcionadas belas perspectivas urbanas do entorno.