CASA KASPER

Local: Vila Assunção, Porto Alegre, RS / BR
Área: 200m²
Ano do Projeto: 2016
Projeto: arq. Bruno Bered, arq Lucas Löff Ferreira Leite, arq Marcus Fin
Renders: arq Lucas Loff Ferreira leite

1 – Arquitetura
A potência da arquitetura como discurso tensiona sua existência. De alguma forma cria previamente a concretude espacial, espíritos, anseios e arquétipos, que, materializados, se exprimem como natureza inerente a espacialidade.
Antever tais potências vocaciona o espaço, fazendo dele experiência concreta.

2 – Discurso
O projeto vem de uma forma densa, pré-existente e já ocupada. A partir dela são criados vazios possibilitando dinâmicas técnicas, viabilizando relações espaciais, e trazendo consigo expressões cruzadas de pretensões do cliente e do projetista.
¨Nada se cria, tudo se transforma.¨
Antoine Lavoisier
A ideia de resignificação das coisas parece ser uma das grandes, se não a maior, das potências criativas.
Os cheios podem ser vazios.
Os vazios, cheios.
Os vazios podem ser resignificados, mesmo ainda sendo vazios.
Os cheios, novos cheios.
Todos comportam potências em si e nas relações que podem vir a estabelecer com os espaços adjacentes. A ideia de que uma (ainda) sala, ou cozinha, pode se tornar ruína e assim ser resignificada, representando em si a nobre e natural passagem do tempo, uma potência wabi sabi. O pátio, por mais que descoberto influenciável pelas instabilidades climáticas, pode ser local de proteção e aconchego da privacidade, pode relatar possibilidades de interação com o mundo e com a natureza como um todo.

3 – A materialidade
A marquise de concreto representa a urbanidade e faz a interface do lote com o ambiente público. Acolhe os que chegam a casa e se extende ao interior. Se molda de forma orgânica na face com a rua, liberando espaço para a permanência dos vegetais existentes no jardim. Mais para o interior do lote assume maior regularidade ao adentrar a residência, mediando a conexão dos ambientes internos e externos- rua, ambiente social, pátios e dormitórios.

4 – Retomando o conceito wabi sabi.
Wabi-sabi ( 侘寂 ) representa uma abrangente visão de mundo japonesa, uma visão estética centrada na aceitação da transitoriedade e imperfeição. Esta concepção estética é muitas vezes descrita como a do belo que é “imperfeito, impermanente e incompleto”. -wikipedia enciclopédia interativa.

5 – Uma memória gráfica
Uma resposta adequada a realidade e celebrando a memória, o telhado borboleta insinuado em um desenho técnico antigo da casa se torna pertinente dentro da lógica da reforma. A marquise de concreto que percorre a casa conduzindo o fluxo de pessoas serve também para a condução do fluxo de água que cai dos telhados e ali é recolhido.

6 – Conclusão
A casa se resignifica dentro do sonho, sempre existente no imaginário do proprietário, da revisão do local escolhido para chamar de seu. Nele o privado traz da rua a calçada, da casa de praia o telhado e o piso de madeira, da modernidade a organicidade e liquidez do sólido concreto, a alvenaria existente dita o caráter tectônico do maior percentual das superfícies verticais e representa a memória viva da história do lugar.