EDIFÍCIO MAGMA

Local: Torres, RS / BR
Área: 7.728,90m²
Ano do Projeto: 2017 - Status: Em construção
Projeto: arq. Bruno Bered Pereira l arq. Fernando Pereira Rigotti l arq. Lucas Löff Ferreira Leite l arq. Marcus Fin
Projetos Complementares: Estrutural: Vanguarda l Hidráulico, Elétrico e PPCI: MPel l Climatização e pressurização: Tr3z l Consultoria em concreto aparente: GR Consultoria
Construção: R Dimer
Renders: 3D Imagem

A cidade de Torres teve seu processo de desenvolvimento acelerado no início do século XX devido ao potencial turístico do local. Tal fato se deve muito às belezas naturais e às falésias e torres de basalto sobre arenito tão atípicas no extenso e plano litoral gaúcho. O município se desenvolveu como balneário de veraneio e portanto foi urbanizado com lotes de pequeno e médio porte que abrigavam as residências de ocupação sazonal. Com o tempo o público que frequentava o município começou a aumentar, o que ocasionou uma revisão no plano diretor da cidade permitindo a construção de edifícios de maior altura. Tal processo se intensificou no final do século XX mudando o perfil da cidade, que começa a unificar diversos lotes viabilizando a construção de empreendimentos maiores em área e altura.  

Dentro desse processo de verticalização, ainda hoje muito acelerado, a Construtora R-Dimer chegou até o escritório b2f com o intuito de construir o maior edifício possível sendo composto por uma torre residencial e um térreo comercial. No terreno um tanto exíguo, resultante da unificação de dois lotes no miolo da quadra, se fazia necessário um projeto que destoasse das fórmulas padrão de mercado tendo em vista a vasta oferta de imóveis no mercado e o anseio da construtora de lançar um produto diferenciado. Além disso a excelente posição urbana – perto do mar, do centro e de todas infra estruturas que qualificam a vida de um modo geral – conduziam já para um empreendimento de sucesso.

O lote tem sua face frontal orientada ao sul, portanto a posição solar não valoriza o aproveitamento da frente do empreendimento para a inserção do máximo de unidades residenciais como é de praxe no mercado torrense, olhando para a rua. Ao leste restam somente dois lotes entre o empreendimento em questão e a esquina. O lote de esquina é um empreendimento de dez pavimentos, com torre residencial e térreo comercial, e o adjacente um hotel de pequeno porte, com quatro pavimentos. Mesmo que o lote do hotel seja incorporado em algum momento o empreendimento não conseguirá subir mais do que dez pavimentos tendo em vista os recuos legais necessários, e possivelmente terá seu recuo obrigatório adotado para o lado oeste, já que a leste o outro edifício praticamente não tem recuo. Á oeste, entre o lote trabalhado e a esquina, há somente um edifício construído com onze pavimentos e com uma empena cega encostada na sua divisa leste.

A morfologia proposta resulta da consideração destes condicionantes do entorno imediato. Portanto a torre residencial assume sua circulação vertical a oeste, junto da divisa do terreno e da empena cega do vizinho. As unidades residenciais são contidas por uma barra alongada que ocupa somente a metade oeste do terreno, deixando a metade leste livre, liberada para suprir com iluminação natural e circulação de ar os apartamentos da torre.

Tendo em vista que o sistema construtivo básico do litoral gaúcho, assim como no território brasileiro como um todo, é o concreto armado, e que não fugiríamos a regra, propusemos que toda estrutura do edifício ficasse aparente valorizando essa técnica construtiva tão tradicional ainda hoje. O concreto atua como uma memória do basalto que compõem as falésias. Os poucos fechamentos em alvenaria seriam revestidos com pastilha cinza chumbo criando, em comparação com o cinza do concreto, os tons e sobretons do envelhecimento da pedra nas falésias. Onde se definiu a instalação dos ar condicionados foram propostas grades  na cor verde para a proteção dos equipamentos, como a vegetação que brota em meio às pedras das falésias. Então a construção se torna um ícone edificado da paisagem torrense, uma metáfora da natureza.

Por fim pode-se dizer que os condicionantes do entorno imediato moldaram o edifício tanto quanto podemos dizer que a beleza natural das falésias de Torres insinuaram o caminho a ser tomado para materialização e a aparência do empreendimento. De certa forma os ingredientes que moldaram essa arquitetura existiam previamente á todo processo criativo. E através de uma frase de Rafael Moneo encerramos ete memorial:

 

“(…) aprender a escutar o murmulho, o rumor do lugar, é uma das experiências mais necessárias para quem pretende alcançar uma educação como arquiteto.(…)” ¹.

 

  1. Igor Fracalossi. “Imobilidade Substancial / Rafael Moneo” 20 Jul 2015. ArchDaily Brasil. Acessado 30 Jan 2019. <https://www.archdaily.com.br/br/770469/imobilidade-substancial-rafael-moneo> ISSN 0719-8906